A
enxaqueca atormenta 30 milhões de brasileiros, atingindo também
as crianças. Não existem números precisos,
mas a experiência no atendimento ambulatorial de grandes
hospitais aponta que a incidência de enxaqueca entre
as crianças de 6 anos chega a 4% entre os pacientes
atendidos. Os médicos acreditam que os "baixinhos" com
menos de 6 anos sofram com essa intensa dor de cabeça.
Geralmente só é possível realizar um
diagnóstico preciso e explicar melhor os seus sintomas
quando a criança está em idade escolar. Esse
não é o único problema. Identificar corretamente
a enxaqueca, muitas vezes, é um desafio também
para os médicos, pois esta dor não tem uma causa
orgânica, sendo de difícil tratamento. É um
mal com o qual é preciso aprender a conviver. A acupuntura é uma
saída para esse problema, chegando a índices
positivos de 40%.
A enxaqueca é uma dor latejante, que começa
em um dos lados da cabeça, podendo ser acompanhada de
náuseas, vômitos, dor abdominal, hipersensibilidade à luz
e aos sons, além de formigamento nos braços e
pernas. Às vezes, enxergam-se estrelinhas ou o campo
de visão fica limitado: pessoas e objetos são
vistos pela metade. Em alguns casos, as crises podem durar
até 72 horas. Mas esses incômodos não são
iguais para todos os pacientes, levando a uma sucessão
de consultas para se chegar ao diagnóstico correto.
Visitas ao oftalmologista e ao dentista costumam ser as etapas
iniciais da peregrinação para muitas crianças.
Não há exames que detectem a enxaqueca e os médicos
costumam diagnosticá-la a partir da exclusão
de outras doenças.
A família pode ajudar a detalhar os hábitos,
atividades e alimentação da criança. Importante
informar se há parentes que sofram de enxaqueca, pois,
de acordo com as estatísticas, 91% dos pacientes têm
parentes com o mesmo problema; sendo na maioria casos de "herança" materna.
A probabilidade dos filhos "herdarem" esse distúrbio é 12
vezes menores se, na família, o pai tiver enxaqueca. |
Os
especialistas recomendam que a criança que tenha
dor de cabeça mais de uma vez por mês seja avaliada
por pediatra. Se necessário, ele a encaminhará ao
neuropediatra. Saba-se que algumas situações
provocam a enxaqueca: estresse, nervosismo, excesso de exercícios
físicos, distúrbio de sono e sol em excesso podem
acioná-la. Também alguns componentes químicos
incluídos em determinados alimentos provocam uma reação
no cérebro e desencadeiam a dor. Pesquisas identificaram
o nitrito, o glutamato e a tiramina como os vilões de
enxaquecas causadas pela alimentação. A salsicha,
por exemplo, contém nitrito, substância química
usada em seu conservante. O glutamato está, entre outras
coisas, em temperos e caldos prontos, como as utilizados na
culinária japonesa e chinesa. E a tiramina é encontrada
em chocolates e queijos brancos.
Tratamento
Até o momento, não se sabe como, exatamente,
essas substância agem acionando a crise. No caso da enxaqueca,
porém, acredita-se que uma concentração
anormal de neurotransmissores leva a mensagem de dor ao cérebro,
mas sem um motivo físico concreto. Os tratamentos variam
de acordo com a freqüência e a intensidade das crises.
Quando fracas e espaçadas, um analgésico e algumas
horas de sono resolvem. Mas quando fortes e em intervalos curtos
de tempo, atrapalham o rendimento escolar e o lazer dos "baixinhos",
o mais comum é a adoção de tratamentos
que duram de três a seis meses, com medicamentos capazes
de espaçar e amenizar as crises. Como a maioria dos
medicamentos, esses remédios também têm
efeitos colaterais, como ganho de peso, sonolência, baixa
pressão arterial e diminuição da freqüência
cardíaca. Por isso, o tratamento é acompanhado
de perto pelos médicos, que administram as dosagens.
Ambulatório de Acupuntura
As agulhas têm a função de estimular a
produção e liberação de substâncias
que atuam no Sistema Nervoso Central. Com efeito antiinflamatório
e relaxante muscular, a eficácia da acupuntura é em
torno de 80%, sendo por isso um tratamento adequando para as
enxaquecas e cefaléias em geral.
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