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O conteúdo para formação do médico acupunturista e a prova para aquisição do Título de Especialista em Acupuntura (TEAC)
Ricardo Morad Bassetto

Enquanto esperamos a definição dos destinos do Colégio Médico de Acupuntura (CMA) podemos aproveitar para iniciar a discussão sobre um tema de grande importância: a formação do especialista em Acupuntura e a prova para o TEAC.

Não há dúvidas que o objetivo balizador de nossa conduta deve ser estabelecer a relação estreita e específica entre o conteúdo mínimo necessário para prática de uma Acupuntura eficaz e segura e os requisitos solicitados na prova de titulação, contudo, a dificuldade está no acordo do que se considera realmente essencial no aprendizado e o que deve ser avaliado para o TEAC.

As provas para título de especialista tem priorizado os contextos clássicos da MTC na compreensão das enfermidades e seus tratamentos, acrescidos de algumas poucas informações médicas ocidentais. Isso nos faz crer que os examinadores, que até então estruturaram esses exames, consideram esse tipo de informação como essencial para a prática da Acupuntura que se pretende segura e eficaz.

Com intenção de não assumir uma posição demasiado simplista a favor ou contra dessa concepção, farei algumas considerações que talvez ajudem iniciar a discussão sobre possíveis causas de conflito entre os cursos de especialização e realizadores de provas, ou entre conteúdo e requisição para o TEAC.

Todos sabemos que, tradicionalmente, a Acupuntura é parte da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e que, portanto, tem como fundamentos o mesmo corpo doutrinário dessa cultura médica milenar. Porém, o que muitas vezes deixamos de considerar, é o quanto esses conceitos originais sofreram modificações ao passar por culturas diferentes, e o quanto foram distorcidos sobretudo em sua transposição para o Ocidente. As barreiras culturais e lingüísticas facilitaram o surgimento de interpretações pessoais não raro acrescidas de conteúdos místicos e de imensa subjetividade na aplicação clínica. Como agravante somou-se a profusão de erros de tradução ou mesmo de conceito dos autores de obras disponíveis, sobretudo em língua portuguesa, o que amplia claramente o risco de se embasar a aplicação do método em crenças ou pensamentos mágicos sem correlação clara com o fato observado.

Por outro lado, a Acupuntura adquiriu uma fundamentação específica a partir da aplicação do método científico de estudo que vem demonstrando, de forma irrefutável, que o estímulo neuronal é a razão principal ou mesmo exclusiva do efeito biológico da Acupuntura. Esse fato comprovado oferece novo parâmetro para compreensão e esclarecimento dos conceitos tradicionais (MTC) de fisiologia, fisiopatologia e mecanismo de ação da Acupuntura.

Qual é a natureza do “Qi” que se “esgota” ou deixa de circular quando se afeta uma via nervosa relativa a um ponto qualquer, seja por lesão da estrutura neural, uso anestésico ou mesmo um antagonista opióide?

Talvez essa “Natureza Qi” (conceito), mais ponderável e menos subjetiva possa ser aceita de maneira universal como base de conceituação por todas as escolas, independente da manutenção de suas peculiaridades, e favoreça assim a construção de um arcabouço mínimo para formação do especialista e também para o perfil das provas de título.

Não se trata aqui de mera modernização da linguagem ou crítica ao conhecimento ancestral, mas sim a busca de uma compreensão ampla e segura dos sinais e sintomas, suas origens fisiopatológicas e a possibilidade real de influenciá-los através da Acupuntura.

Assim exposto, algumas propostas para um currículo mínimo serão aqui apresentadas para avaliação e crítica de todos:

• Substratos anatomofisiológicos e fisiopatológicos

• Patologia - Clínica Médica – Propedêutica – Conhecimento detalhado das entidades nosológicas onde a Acupuntura é objetivamente efetiva

• Estudo dos conceitos da MTC com correlação clínica objetiva demonstrável

• Descarte ou avaliação crítica dos conteúdos da MTC que se mostram contraditórios

em suas origens ou publicações conflitantes

• Correlação da neuroanatomofisiologia com o conceito de Meridianos e pontos da Acupuntura

• Tratamento das patologias

• Metodologia do trabalho científico e da avaliação das publicações médicas.

Seguramente muito mais pode ser avaliado, mas para esse momento que sirva pelo menos como estímulo à crítica e ponderação sobre o tema.

 
     

 

São muitos os benefícios de se tornar um associado. Saiba mais aqui.
Artigos Políticos, Científicos e de Ensino.
Saiba mais sobre Acupuntura.


A SMBASP indica os seguintes cursos promovidos pelo CEIMEC e pelo Centro de Acupuntura do HC-FMUSP:

Workshop de
tratamento de doenças musculoesqueleticas

início: 12/04/2008
Especialização em acupuntura e medicina tradicional chinesa
início: 15/03/2008

Curso e Congresso da OMS na China em 2008
Previsão: saída 10/10/08 e retorno 13/11/08

Veja também os cursos oferecidos pelo Centro de Acupuntura do IOT Hospital
das Clínicas - FMUSP

 


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