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Artigos Científicos

Mastalgia
Dra. Esmeralda Suda

A dor mamária é uma das queixas mais comuns em consultas ginecológicas, pois seu aparecimento sempre desperta na paciente a idéia da possibilidade deste sintoma estar associado a uma lesão maligna, o que a deixa muito ansiosa e temerosa.

A dor mamária pode ser classificada como cíclica e acíclica. Pode ter intensidade variável oscilando de leve à intensa, ser constante ou intermitente, de curta ou longa duração. A dor mamária acíclica, não relacionada com o período menstrual, em geral, ocorre somente em uma das mamas e se localiza em uma área específica desta.
As causas podem decorrer de afecções mamárias específicas como traumas, processos inflamatórios ou ser dor referida com origem em afecções relacionadas à parede torácica. A mastalgia cíclica predomina na adolescência e no menacme e está claramente relacionada com o ciclo menstrual.
Os sintomas se iniciam ou se intensificam no período pré-menstrual e desaparece após a menstruação. A dor cíclica tem as características de ser em distensão, em geral afeta ambas as mamas, acometendo principalmente os quadrantes superiores laterais.
Pode ou não apresentar nodularidades; geralmente está associada a espessamento mamário, constituindo as alterações Funcionais Benignas da Mama (AFBM), que acredita- se serem causadas por disfunção ovariana.
Algumas vezes há descarga mamilar, acompanhada de lombalgia, fadiga, menstruação irregular, depressão mental, disforia e insônia.

O diagnóstico diferencial deve ser feito com fibroadenoma, doença fibrocística, cistos e câncer.

A avaliação clínica e o tratamento devem ser iniciados com história clínica, exame das mamas e quando indicados eventuais exames complementares como ultrassonografia e mamografia podem ser realizados.

A primeira opção terapêutica é a orientação verbal, que consiste em explicações para tranqüilizar a paciente, esclarecendo a evolução natural, as possíveis causas dos sintomas e a não-associação com neoplasia. O tratamento medicamentoso deve ser recomendado de acordo com a gravidade dos sintomas.

Segundo a Medicina Tradicional Chinesa, a doença pode ser considerada como estagnação de Qi e/ou Xue produzida principalmente pela estase de Qi do Gan, que pode ocorrer de forma aguda ou prolongada; pode ainda ser provocada por acúmulo de mucosidade. Em casos crônicos pode ser causada por deficiência de Qi e Xue do Gan. Esta alteração, muitas vezes está correlacionada com os Zang Fu responsáveis pela produção de Xue como o Wei, Pi e Shen.

Tratamento Principal: RM 17 (Dan Zhong), E 15 (Wu Yi), E 18 (Ru Gen), VB 21 ( Jian Jing) e BP 6 (San Yin Jiao).
Acrescentar os seguintes pontos de acordo com a sintomatologia:
• SJ 6 (Zhi Gou) e F 3 (Tai Chong) em caso de irritabilidade, angústia, dor em distensão mais localizada (Estagnação de Qi e Xue do Gan).
• IG 4 (He Gu), E 36 ( Zu San Li), RM 12 (Zhong Wan) nas manifestações de dor em distensão das mamas mais constante, descarga mamilar, nódulos, sensação de peso nas pernas (Acúmulo de mucosidade).
• PC 6 (Nei Guan), RM 12 (Zhong Wan), RM 4 (Guan Yuan) e R 3 (Tai Xi ): em caso de nódulos intermitentes, depressão, insônia e disforia.
• R 3 (Tai Xi) e B 23 (Shen Shu) acrescentar para dor e fraqueza lombar.
• RM 6 (Qi Hai), E 36 (Zu San Li) e F3 (Tai Chong) em caso de irregularidade menstrual.

Realizar o tratamento duas vezes por semana no primeiro mês, depois uma vez por semana durante 3 ciclos, e posteriormente
pode-se fazer a manutenção no período pré-menstrual.

Método: agulhar RM 17 horizontalmente em direção ao lado da mama afetada; E 15 horizontalmente para a lateral; E 18 para
cima, horizontalmente para a lateral ou obliquamente.
Agulhar todos os pontos com a técnica de sedação em rotação. B 23 e F 3 são agulhados com técnica de tonificação em rotação. Reter as agulhas 30 minutos e manipular 2 ou 3 vezes enquanto retidas.

Auriculopuntura
Prescrição: Endócrino, Fígado e Rim

Método: Estimulação média e forte. Reter as agulhas 30 minutos. Tratamento diário. Wangbuliuxingzi (Semen Vaccariae) pode ser usada na auriculopressão.

Esta é a conduta do Centro de Estudo Integrado de Medicina Chinesa (CEIMEC), que na nossa experiência observamos que a Acupuntura é eficaz na analgesia e inflamação, porém pesquisas clínicas são necessárias para avaliar o real alcance do tratamento em relação à diminuição dos nódulos e normalização hormonal, visto que nenhum trabalho científico de Medicina Tradicional Chinesa sobre mastalgia foi encontrado na literatura mundial.


Bibliografia:
Lima G.R, Gebrin L. H. Ginecologia de Consultório Ed. Projetos Médicos EPM 2003 – 307-308.
Livro de Acupuntura e Moxabustão da Universidade de Shangai.- Discussões Específicas de Tratamento por Acupuntura e Moxibustão da Medicina Tradicional Chinesa, 5ª. Edição, 326-28.
Manual Merck, sessão 22, cap. 238 Peckham B.M, Shapiro S.S. Sinais e Sintomas em Ginecologia Ed. Harper&Row do Brasil Ltd. 1986


  

 

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